TRANSFORME ANDROID E COMPUTADOR EM PSP

 Para jogar games de PSP (PlayStation Portable) no smartphone android e no computador é super simples com um dos melhores emuladores, o PPSSPP.


- Android: acesse a Google Play ou Zippyshare e instale o emulador.
- Windows: acesse o site PPSSPP ou Zippyshare.

 No celular android, salve o arquivo de imagem ".ISO" do jogo, não importa o local/pasta ~> Inicie o app PPSSPP no celular ~> Localize o ".ISO" no local guardado e inicie o jogo. Testado com Tactics Ogre e D&D Tactics... rodou corretamente. Processo semelhante no computador windows.


 Emulador bom para jogar "God of War" no pc, jogo exclusivo para playstation.



CONFIGURAÇÃO:

 Para configurar, segue a imagem abaixo da configuração. Caso encontre algum item que melhore o gráfico ou velocidade sem comprometer o FPS, colabore abaixo no comentários:

Ou veja o vídeo:


 Obs.: alguns jogos podem rodar mais lentos que o normal. Neste caso, é necessário alterar configurações. Você pode modificar as configurações e salvar separadamente para cada jogo.

OUTROS EMULADORES:

O PARÁ TEM DEZENAS DE CÍRIOS E ROMARIAS NO ANO

 Em outubro mais de dois milhões de devotos tomam as ruas da capital paraense na maior procissão de fé do Brasil e uma das maiores manifestações do mundo: o Círio de Nazaré,  desde 1793 em Belém do Pará. Mas tanta demonstração de fé não ocorre somente neste mês: dezenas de círios são realizados ao longo do ano no estado paraense.

 O fato mais curioso é que o mês que bate recorde de celebrações em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré, segundo a Arquidiocese de Belém, é o de novembro. Ao todo são 17 círios realizados nas comunidades do interior. celebração do Círio de Nazaré é tão importante que é considerado o Natal dos paraenses.

 Apesar da devoção ser em torno da mesma Santa, cada município tem a sua peculiaridade. Em Soure, por exemplo, um grupo de homens montados a cavalo e em búfalos faz o cortejo da imagem. Situação semelhante ocorre no círio de Paragominas, no qual uma cavalgada recebe uma bênção especial de Nossa Senhora.

 A arquidiocese registra, além do Círio de Belém, outros 36 círios nas comunidades do interior (veja infográfico)
Janeiro: Santa Bárbara
Novembro: Acará; Barcarena; Bragança; Breves; Marituba; Marudá; Maracanã; Magalhães Barata; ParagominasPirabas; Primavera; Santa Cruz do Arari; São Miguel; SalvaterraSantarémSoure; Viseu; Pitimandeua (em Inhangapi); São Jorge do Prata; Tauá, e; Distrito de Icoaraci (em Belém). 



 Porém, de acordo com levantamento da pesquisadora socióloga Denise Simões, pode chegar a cem o número de romarias realizadas no estado, o que demonstra a força da Virgem Maria na construção da história e da identidade cultural do povo paraense. “A força da fé mariana é uma mola propulsora do povo paraense que, para enfrentar tantos desafios de viver na Amazônia, encontrou amparo em algo mágico, que é a fé. Ela, uma figura feminina, é capaz de deter tamanha força. Isso indica a importância na evangelização da Amazônia”, analisa.
 Antônio Jorge Paraense, doutor em Ciências Humanas, no entanto, também garante que a devoção alcança um horizonte ainda maior do que contabilizam os registros oficiais. "Outros círios são realizados em homenagem à Maria sob outras titulações: Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Senhora da Saúde, Conceição, Aparecida, entre outros. Isso ocorre, por exemplo, no Círio de Nossa Senhora das Graças, realizado em Icoaraci; e no de Nossa Senhora do Ó, em Mosqueiro”, afirma o pesquisador.

 A doméstica Dulci Lobo, moradora de Soure, diz que a procissão de lá é uma das mais bonitas do Estado. “O cortejo a nossa senhora é um dos mais bonitos que já vi. São homens com vestes marajoaras que cavalgam em cavalos e búfalos. São centenas de animais que fazem um lindo cortejo a santa. Vale a pena participar”, lembra.


FÉ RIBEIRINHA:


 A devoção à Virgem marca, sobretudo, o povo ribeirinho. “O mapeamento que estou desenvolvendo sobre os círios no Pará revela um dado importante: os municípios que estão à beira dos rios, quase 100% possuem círios”, Antônio Jorge sobre a estreita ligação ribeirinha com a fé na santa padroeira. “Temos a necessidade inata da presença da mãe protetora. Supondo que um rio de águas turvas seja sempre um ‘desconhecido’ no que tange não termos noção do que esse rio nos reserva, buscar auxílio no sobrenatural tem sido uma atitude recorrente entre as comunidades do Pará”, analisa Antônio Jorge.

 Localizada a 80 quilômetros da capital, Vigia, cidade ribeirinha localizada no nordeste do Pará, é o berço da tradição mariana. Ainda no século 17, fiéis já se reuniam na romaria em homenagem à Senhora de Nazaré. Realizado sempre no segundo domingo de setembro, um mês antes do Círio de Belém, a procissão da Vigia (tradição com mais de 300 anos) que inspirou o cortejo da capital, também traz elementos como berlinda, corda, carros de anjo, carro dos milagres. O destaque fica para o Anjo Guardião do Brasil, que é representado por uma jovem montada em um cavalo, que conduz o pavilhão nacional, na abertura do Círio.
 Também no nordeste do estado, a cidade Bragança, a 200 quilômetros de Belém, promove uma das romarias mais antigas do Pará. Realizado em novembro, o Círio de Bragança, município com 401 anos de história, é o terceiro mais antigo do Pará. Durante a festividade, mais de 30 mil casas recebem a visita da imagem peregrina. Ao todo, são 11 romarias. 
CRENÇA QUE SE RENOVA:


 Além de romarias com séculos de tradição, a população paraense revela uma renovação da fé mariana por meio de municípios que passam a realizar o Círio, adotando a procissão religiosa no calendário da cidade. “Estão acontecendo novas procissões como é o caso de Ipixuna que em 2012 realizou sua primeira procissão, no entanto, a homenageada é Maria, mas sob o nome de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, diz o pesquisador Antônio Jorge.



 O surgimento de novas romarias, além de devoção, demonstra também o papel social e agregador da figura de Nossa Senhora. “O Círio é sempre motivo para que aqueles que estão fora retornem para ver os seus. Além de uma manutenção da fé, é manutenção dos laços familiares e geográficos. Então é possível identificarmos esses fluxos: no Círio de cada município, os que saíram de sua terra natal voltam em busca desse conforto íntimo e familiar, daquilo que o define em sua identidade afetiva e cultural”, diz.
 O caráter democrático e, ao mesmo tempo, um símbolo único na cultura do estado... “O que motiva as pessoas a longas caminhadas e ao sacrifício, um sentimento de pertencimento muito grande ao Pará, e um sentimento de solidariedade e de fé, mas uma fé que não é marcada pelo controle eclesiástico. É um ‘maravilhamento’ que faz sumir a voz das pessoas, quando a emoção as domina, e dai vêm as lágrimas. O Círio representa muito bem a Amazônia, que apesar de ser brasileira, é uma região única. Louva-se a mulher forte que gera, que cria, que protege, que encaminha. Não à toa temos tantas Marias de Nazaré no Pará” afirma Denise Simões.

CULINÁRIA:


 No Pará, a festa do Círio de Nazaré é tão importante que pode ser considerado o Natal dos paraenses. E assim como na data de nascimento de Jesus, é preparado um farto banquete com comidas típicas durante o mês da celebração.

 Um dos pratos clássicos da época é a maniçoba, feita à base de folha de mandioca que, por ser tóxica e letal, precisa ser fervida durante sete dias e sete noites para ser consumida. O caldo grosso e escuro, temperado com linguiça, paio e carne de porco, lembra muito a feijoada – daí seja chamada de “feijoada paraense”. Outro prato típico é o pato no tucupi, no qual a ave é cozida junto ao soro da mandioca brava. A preparação é servida com jambu, erva de sabor acentuado que adormece a língua.

ECOTURISMO PARAENSE

 O Pará tem muita história para contar e natureza para exibir: os sítios arqueológicos de Monte Alegre, as praias rústicas de Maiandeua e Curuça, os casarios portugueses de Óbidos e Alenquer, o patrimônio arquitetônico de e a floresta em Belém, manguezais das cidades oceânicas, a floresta e praia em Santarém.
 O Estado oferece grandes atrativos turísticos, principalmente de origem natural, fato atestado pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que concluiu que o Pará é dono de 49% das atrações naturais da Amazônia. O estímulo à atividade turística se dá por dois fatores: a execução de obras que embelezam cidades paraenses e a divisão do Estado em seis pólos turísticos, que contemplam diversas vertentes da atividade.

 A natureza foi generosa com o Pará, com a combinação de fatores marcantes de vários ecossistemas, onde o predominante é o amazônico. Rios, praias, mangues, florestas, campos alagados, vastíssimos elementos de fauna e flora fazem da região amazônica única no mundo, e o Pará foi premiado com a presença destes elementos. Cada região turística do estado apresenta diferentes características, que combinadas formam um mosaico de formas de se relacionar e vivenciar estes elementos, fatores que influenciam também na cultura, culinária, história e economia de cada canto do estado.

 O homem da Amazônia, no Pará, tem uma relação curiosa com as águas, seja em busca da sua sobrevivência na pesca, seja no ir e vir diário, que faz dos rios a sua rua e das embarcações seu principal meio de transporte. Essa vida em função dos elementos da natureza é um dos fatos que mais atrai visitantes que desejam conviver com a cultura essencialmente amazônica presente no Pará. Seja na pesca esportiva, turismo ecológico e de aventura ou na vivência de experiências, os fatores naturais atraem a atenção dos visitantes que desejam desfrutar do turismo no estado.
 O Pará tem três pólos para oferecer aos interessados atrativos naturais e culturais: o Pólo Tapajós, a oeste do estado; o Pólo Marajó, na maior ilha fluviomarinha do mundo; e o Pólo Costa Atlântica, que envolve a capital, Belém, e outras cidades do litoral atlântico.
 Tendo como portão de entrada a bela cidade de Santarém, o Pólo Tapajós oferece atrativos diversificados aos visitantes. As cidades que o integram estão situadas na junção dos rios Amazonas e Tapajós, constituindo uma rede de canais, áreas inundáveis e lagos, propícios à pesca esportiva e à observação da fauna. Durante o verão, de agosto a dezembro, as águas esverdeadas do rio Tapajós baixam, fazendo surgir praias de areias alvas, entre as quais as da Vila de Alter do Chão (38 km de Santarém).
 A Floresta Nacional do Tapajós é conhecida por suas belezas naturais. O grande rio que banha as terras ribeirinhas muda de cor a cada hora do dia (azul, amarelo, laranja, vermelho e prateado). Também muda de tamanho. No inverno, quando chove bastante, fica bem cheio formando os igapós. De canoa é possível andar no meio da floresta. Já no verão, o rio baixa, fica encolhidinho, quando aparecem as praias com suas areias brancas possibilitando a atividade da piracaia.
 Subindo a serra o visitante pode admirar a floresta, com árvores altas e grossas, como a sumaúma. Tem madeira de lei como o cedro, o jatobá e outras que fornecem óleos como a andiroba e a copaíba, além de seringueiras, cortadas na diagonal para se extrair seu leite. São tantas espécies, com frutos tão diferentes, que é difícil conhecer todas, mas pode-se avistar castanhas do Pará e a sapucaia.
 O pouso das garças ao pôr do sol em Monte Alegre é um dos espetáculos naturais inesquecíveis da região. Monte Alegre é, também, a sede de um Parque Estadual de mesmo nome, que abriga sítios arqueológicos com pinturas rupestres, com destaque para a Gruta da Pedra Pintada, onde escavações encontraram os mais antigos vestígios da ocupação da Amazônia e da América, de cerca de 11 mil anos.

 A oito quilômetros do município de Curuçá (nordeste do Pará) está localizada a primeira praia em mar aberto depois da foz do Amazonas. A praia da Romana é um dos pedaços mais bonitos e menos explorados do litoral paraense. São 14 quilômetros de areia branca e dunas. Lugar pintado de vermelho pela revoada dos guarás. Uma beleza deserta e conhecida ainda por poucos. A maioria dos que já visitaram este paraíso são estrangeiros. Vivem ali pescadores e agricultores habitantes da Reserva Extrativista Mãe Grande, que abriga um dos maiores manguezais contínuos do mundo, cerca de 37 mil hectares. 


 A Romana ficou mais conhecida através de ações de turismo de base comunitária. Em parceria com a Casa da Virada, projeto da ONG Intituto Peabiru, a comunidade criou roteiros de ecoturismo e contribuiu para a fundação do Intituto Tapiaim, que organiza as trilhas e conduz os visitantes, mostrando as belezas e riquezas do mangue e a cultura dos pescadores e catadores de caranguejo que vivem no local.

 O Parque Estadual do Utinga é uma opção de lazer para moradores de Belém e visitantes durante o mês de julho. O local, criado em 1993, tem uma área equivalente a 1.400 campos de futebol e está localizado na área urbana da capital, permitindo que quem gosta da natureza possa conferir um pedaço tranquilo da Amazônia a poucos quilômetros do centro da cidade.

 A área pode ser utilizada para caminhar, andar de bicicleta, e, principalmente, para aprender sobre a conservação do meio ambiente. Para quem gosta de ecoturismo existem 8 opções de trilhas com diferentes percursos - todas em contato direto com as diversas espécies da fauna e flora da região. As trilhas podem ser feitas com agendamento prévio. Os grupos devem ser formados por pelo menos 7 pessoas. O percurso mais utilizado pelos visitantes é do da “Trilhado Macaco”, em homenagem à espécie macaco de cheiro que habita no local. O trajeto dura, em média, 40 minutos.
 As fazendas e campos inundáveis da Ilha de Marajó são os atrativos principais do Pólo Marajó. Banhada pelas águas dos rios Amazonas, Pará e Tocantins e pelo Oceano Atlântico, Marajó abriga a maior manada de búfalos do país, o faz deste ruminante uma presença constante no cotidiano marajoara, sendo utilizado inclusive como montaria. Roteiros de turismo rural, envolvendo passeios de búfalo, estão entre as atividades disponíveis. Por causa de sua situação ecológica, a ilha atrai grandes quantidades de aves e peixes, favorecendo a observação de aves e a pesca esportiva.
 Composto por doze municípios, o Pólo Costa Atlântica tem como maiores atrativos o rico patrimônio histórico e arquitetônico da capital, como o Museu Emilío Goeld, o Teatro da Paz e outros, Belém é o portão de entrada do estado, manguezais e as praias oceânicas de seu litoral. Em São João de Pirabas, a pesca esportiva em alto mar e a observação de aves de seus manguezais são atividades que atraem muitos turistas. Outros municípios próximos, como Tracateua, Maracanã, Marapanim e Curuçá também apresentam manguezais extensos e matas que atraem grandes quantidades de aves.

 O Pólo Tapajós é uma das regiões de ocupação portuguesa mais antiga da Amazônia, tendo, por isso, um rico patrimônio histórico. Cidades como Alenquer, Óbidos e Monte Alegre detêm um patrimônio histórico bem conservado, como o Forte de Óbidos, construção militar do século XVII recentemente restaurado. É, também, uma região de forte influência cultural indígena e africana, materializada nas festas populares, na culinária e no artesanato local. A cidade de Oriximiná, por exemplo, abriga vários quilombos.

 Uma vila de pescadores às margens Tapajós que, no período da vazante (verão amazônico de agosto a novembro), quando chove menos e o rio chega a baixar dez metros, revela uma das mais belas praias brasileiras, de águas doces transparentes e areia branca, cercada pela floresta e pela magia de seus antigos habitantes, praia de Alter do Chão (distante 30 km de Santarém via estrada PA-457). A natureza impressiona: o lago verde, a floresta alagada, os botos; e também abriga um rico patrimônio da cultura viva, como a centenária Festa do Sairé ou Çairé, que mistura elementos religiosos e profanos. Dispõe de bons equipamentos e serviços turísticos, como contemplação da paisagem, banho de sol e rio, passeios de barco pelo lago verde e floresta alagada, trilhas até a serra da Piraoca e a piracaia, que é uma espécie de luau amazônico.

 Sol e praia é um segmento muito convidativo a quem quer conhecer o Pará. A abundante presença das águas no território paraense é responsável pela formação de belíssimos recantos naturais, seja em praias formadas pelos rios ou mesmo no litoral atlântico e ainda em igarapés de águas calmas e geladas. As possibilidades são diversas: praias litorâneas como Atalaia e Corvina, em Salinópolis, Marudá, em Marapanim e praia da princesa na vila de Algodoal, na ilha de Maiandeua em Maracanã, Ajuruteua, em Bragança, praia do Pesqueiro no Marajó. Também são encantadoras as praias de rios, a exemplo do Morubira, Chapéu Virado, Paraíso e outras na ilha de Mosqueiro, praia do Amor, na Vila de Alter-do-Chão, em Santarém, praia do Tucunaré, em Marabá, praia das gaivotas em Conceição do Araguaia, Caripi em Barcarena, e tantas outras que fazem parte do vastíssimo leque de possibilidades para quem deseja curtir o sol e calor que predominam durante o ano inteiro na região.
COMO CHEGAR:
 Pólo Tapajós: é por Santarém, que tem porto fluvial e está a 50 horas de barco da capital, Belém. A cidade tem também um aeroporto internacional. O acesso às demais cidades do pólo é feito prioritariamente de barco;
 Pólo Marajó: é feito principalmente por barcos e navios que, partindo de Belém, levam cerca de 3 horas para aportar na ilha. É possível chegar a Marajó de carro ou ônibus, por meio de balsas que partem do porto de Icoaraci, cuja travessia dura três horas;
 Pólo litorâneo: se dá pela BR-316, rodovia asfaltada que parte da região metropolitana de Belém.




FLORESTA AMAZÔNICA EM PLENA CAPITAL PARAENSE

 Nem parece que a agitada capital paraense fica logo ali, a dois quarteirões da maior floresta tropical do planeta. Mas basta cruzar os portões de acesso, na avenida Almirante Barroso, para um mundo amazônico se abrir diante dos olhos.
 Localizado no bairro Curió-Utinga, no setor leste da cidade, o Parque Estadual do Utinga é a Floresta Amazônica no quintal de casa e de fácil acesso, onde é possível realizar atividades que a gente não costuma imaginar na hora de visitar a Amazônia.
 Afinal de contas não é todo dia que se tem a oportunidade de pedalar ou fazer rapel dentro da Amazônia.
Trilha da Mariana, no Parque Estadual do Utinga (foto: Eduardo Vessoni)
 “O parque é uma vitrine da Amazônia. Não tem forma mais fácil de se conhecer a floresta do que esse parque em plena cidade”, descreve Júlio Meyer, gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-bio, órgão responsável pela gestão desse trecho de floresta.
 Uma das atividades que dá para fazer é a navegação em voadeiras no Água Preta, um dos cenográficos açudes locais que, assim como o Bolônia, são alimentados pelas águas do rio Guamá e funcionam como uma espécie de caixa d’água natural de Belém.
 O passeio é curto e restrito ao número de lugares disponíveis na embarcação, mas dá para ver tudo o que se espera de um bioma como o amazônico: florestas alagadas, plantas aquáticas, pequenas trilhas floresta adentro e, com sorte, avistar vida selvagem.
 De volta à terra firme, a Trilha da Mariana é a parada seguinte.
 Nessa caminhada circular de 1.700 metros, o visitante aventureiro aprende técnicas de sobrevivência na selva e particularidades da flora, além de se banhar em uma das nascentes que cortam o parque.
 Mas o que todo mundo quer ver mesmo é aquela bicharada amazônica que só costuma dar as caras em documentários de vida selvagem.
 O Batalhão da Polícia Ambiental, instalado no interior do Parque Estadual do Utinga, abriga animais de apreensão como a curiosa coruja murucututu, jiboia e tucanos. O local funciona como um abrigo onde são realizados cuidados básicos e manejo nutricional dos bichos, antes de serem soltos de volta à natureza ou enviados para o grupo de reabilitação Harpia.
 Por estar em área mais urbanizada, é mais improvável encontrar a bicharada amazônica no interior do parque, por isso essa é uma alternativa para quem quer ver animais selvagens.
 Mas a Floresta Amazônica não decepciona e por ali, ainda em terras do Utinga, dá para fazer um pedal pela nova via com paralelepípedos, com três quilômetros de extensão, e um rapel inocente de 12 metros de altura, que termina no interior de um dos canais d’água do parque.
 “Aqui, não adianta preciosismo. Temos que ter interação com a natureza. Não queremos ser uma área intocável”, avisa Júlio Meyer.
 Requinte mesmo é poder caminhar, pedalar e fazer rapel na Floresta Amazônica, em pleno centro nervoso de Belém.
SOBRE O PARQUE UTINGA

 Essa Unidade de Conservação da Região Metropolitana de Belém preserva uma área verde de 1.353 hectares, uma região ameaçada pela ocupação urbana desordenada e com repercussões no saneamento, saúde e qualidade de vida, segundo o Ideflor-bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará).
 O parque é uma das 25 Unidades de Conservação da Natureza do Estado do Pará, criado em 1993, e faz parte de um corredor ecológico que inclui também a Ilha do Combu e o Refúgio da Vida Silvestre, e serve de refúgio para a vida selvagem local, como 88 espécies de aves, capivaras, pacas, tatus, preguiças, macacos-de-cheiro e até onças (dizem).
 Para sorte da floresta e de todos que visitam a região, o PEUt, sigla para esse parque, é uma das poucas áreas da Região Metropolitana de Belém ainda preservadas.
 O parque está fechado desde abril de 2015 e, mesmo sem nenhum atrativo, recebia 140 mil visitantes anuais. As obras já estão na fase final e a previsão da entrega do parque reformulado é para o final de 2016.

ANÁLISE DE TURÍSMO: BELÉM OU MANAUS

Na Amazônia, onde ir? Belém ou Manaus
 Assim como em típicas lendas amazônicas, com histórias fantásticas contadas à beira do rio, a Amazônia sempre surpreende os viajantes que desembarcam nas terras do norte brasileiro.

 Tem igarapés que confundem a mente com copas de árvores que se fundem no reflexo das águas; cachoeiras que caem sobre árvores centenárias; macacos que surgem do meio da floresta e invadem barco; botos que aparecem quando chega um forasteiro; e tem até um cruzeiro literário que singra águas escuras rasgando uma das maiores florestas do planeta.
E pode voltar quantas vezes forem preciso, que nunca vai faltar atividade nova, em território amazônico. Devido a grande área, para ter uma ideia da dimensão, a Amazônia ocupa não só o estado do Amazonas, mas também o Pará, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e trechos do Maranhão.
ATRAÇÕES: BELÉM OU MANAUS
 Ambas capitais têm acesso fácil à floresta amazônica, embora Belém, no Pará, pareça ter atrações com melhor estrutura para receber visitantes. Mas quem chega a essas cidades com vontade de ir a floresta, inicialmente pode se decepcionar um pouco, devido trânsito complicado, ruas sujas e insegurança nas capitais.
 Belém é, de longe, a versão melhor estruturada da Amazônia turística, onde os serviços funcionam e os preços não são abusivos. Em Manaus, as poucas atrações são um convite para ficar poucos dias na capital do Amazonas. A floresta amazônica fica do outro lado do rio Negro, a 10 km de distância.
 Uma gastronomia que reúne regionalismo e cozinha internacional sem afetação; pequenos museus de acervo discreto e cenografia caprichada; rituais religiosos que conseguem unir todas as crenças; passeios fluviais sinceros que pouco se parecem às versões engana-turistas de outros destinos brasileiros, em que indígenas se fantasiam de índios para delírio da gringaiada; e uma floresta amazônica que fica bem ali na porta de casa.
Conclusão: Belém é a Amazônia melhor estruturada e que, muitas vezes, lembra grandes centros urbanos, quando o assunto são opções de turismo na região central. Já a caótica Manaus deve ser usada como ponto de partida para passeios floresta adentro.
CLÁSSICOS
 Não tem como fugir. Quem visita a Amazônia pela primeira vez não pode deixa de conhecer os clássicos dessas cidades do Norte.
 Centro econômico da região Norte, Manaus abriga construções erguidas durante o curto período do Ciclo da Borracha, como o Teatro Amazonas, cuja visita guiada é uma experiência obrigatória; o Palacete Provincial e o Palácio Rio Negro, construção em estilo eclético, erguida em 1903.
Entre as atrações naturais da cidade, a mais famosa é o Encontro das Águas, experiência que vale mais pelo fenômeno do que pela beleza do local. No encontro dos rios Negro e Solimões que suas águas escuras e barrentas, respectivamente, correm paralelas sem se misturar, ao longo de mais de 6 km. Isso se deve às diferenças de temperatura e densidade daquelas águas.
A visita a bordo de barcos costuma ser combinada com navegações em igarapés e os passeios podem ser adquiridos em agências de turismo de Manaus.
Em Belém, não deixe de visitar o centro histórico, o setor mais antigo da cidade. Próximo tem o Theatro da Paz, inaugurado em 1878, cujo estilo neoclássico foi inspirado no Scalla, em Milão.
Outros clássicos são a Estação das Docas, um complexo de bares e restaurantes que funciona em antigos armazéns de ferro inglês, em uma área de 32 mil m², em pleno porto de Belém; e o Ver-o-Peso, mercado em funcionamento desde 1625. Tombado pelo IPHAN, o local possui boxes e barracas que comercializam carnes, peixes frescos, além de ervas e frutas amazônicas em meio a estruturas de ferro,
PRAIAS DE RIO:
 Neste quesito, Manaus conta com melhor estrutura, com faixas de areia próximo ao centro da cidade. Endereço preferido dos manauaras, em dias de maré baixa, as praias de rio são a melhor opção para quem quer fugir do calor da região.
A mais popular é a praia de Ponta Negra, complexo a 13 km do centro, equipado com quadras, bares e restaurantes. Outra opção é a Praia do Tupé, um banco de areia a 34 km de Manaus, em pleno rio Negro. Com acesso apenas por barco, essa é uma alternativa à lotada Ponta Negra.
 Quem procura algo mais rústico, em Belém, conta com a Ilha de Cotijuba, a 45 minutos de barco. O destino, banhado pela Baía do Marajó, abriga faixas de areia ainda pouco exploradas, ao longo de seus 15 km de litoral.
AMAZÔNIA MINIATURA
 Não precisa ser aventureiro para explorar e ver espécies típicas amazônicas. Manaus abriga o Parque Municipal do Mindu, uma área central de 40 hectares que serve como uma espécie de vitrine da Amazônia, considerado um dos últimos refúgios do macaco sauim-de-coleira, endêmico da cidade. O local conta também com trilhas sinalizadas, passarelas sobre as copas das árvores, playground e biblioteca.
Já Belém abriga espaços com reproduções naturais da Amazônia como o Mangal das Garças, uma área de 40 mil m² que abriga borboletário e 55 espécies de aves como garças, marrecos e até flamingos africanos e chilenos.
Outra opção central de Belém para quem quer colocar os pés na floresta é o Parque Estadual do Utinga, uma área verde de 1340 hectares que, até o final desse ano, deve voltar a ser aberta com opções de atividades como trilhas, ciclovias, passeios de barco e até rapel.
RIBEIRINHOS
 Em Manaus não faltam opções de passeios que visitam comunidades ribeirinhas da região. Mas não é difícil encontrar viajantes decepcionados que voltam de experiências em vilarejos indígenas, onde índios se fantasiam de índios e tornam a visita superficial, cuja única intenção parece ser arrancar dinheiro de turistas.
 Uma experiência que vale a pena é a parada em Acajatuba, uma comunidade ribeirinha que fica a 60 km de Manaus, onde Dona Neide prepara tapiocas para os visitantes, em uma frigideira sobre um fogão a lenha.
Outro clássico é a observação de botos, em Novo Airão, município a 180 km de Manaus. As atividades acontecem no quintal de uma das casas flutuantes da região, por onde passam botos e peixes-boi. A partir de uma plataforma sobre o rio, os visitantes observam os bichos sendo alimentados por funcionários do local.
Em Belém fica a Ilha do Combu, uma das 39 ilhas catalogadas da cidade, conhecida pela produção de cacau e pelos passeios por igarapés, em frente à cidade apenas 15 minutos de barco.
IGARAPÉS:
 Esses canais estreitos de água e com pouca profundidade servem de cenário para uma das experiências mais fascinantes em todo o território amazônico.
 E pode ter certeza que, se você tiver tempo para uma única experiência por ali, pode investir sem medo nos passeios por igarapés próximos a Belém, Santarém e Manaus (só para citar alguns dos mais famosos).
 O melhor de Belém fica em frente à cidade, a 15 minutos de barco. Combu é uma das 39 ilhas catalogadas da cidade Belém e é conhecida pela produção de cacau, matéria-prima na produção do chocolate artesanal que colocou o destino na rota dos chefs de cozinha brasileiros como Alex Atala e Thiago Castanho.
CIDADE DA CACHOEIRAS:
 Localizado no Baixo Rio Negro, ao norte de Manaus, o município de Presidente Figueiredo tem mais de 100 quedas d’água catalogadas e é declarado a “Terra das Cachoeiras”.
 Tudo isso em plena floresta entre cavernas e quedas de todos os tamanhos. Na época da cheia de rios, entre fevereiro e junho, dá até para fazer rafting, boia cross, caiaque, tirolesa e rapel. E para não errar na hora de escolher a sua queda d’água preferida, lembre-se que as opções por ali vão de endereços lotados que parecem clubes de finais de semana até cachoeiras mais isoladas com difícil acesso.
CIDADE DA GASTRONOMIA:
Belém, a capital paraoára que tem a Amazônia bem no quintal de casa, carrega o título de Cidade da Gastronomia, concedido pela Unesco, em 2015. É na maior floresta tropical que Belém se inspira na hora de montar a mesa. Mas não basta apenas incluir pimenta, tucupi e maniva nas receitas.
 A gastronomia local se exibe com originalidade e criatividade raras em outros destinos amazônicos, com opções que vão desde os pratos mais tradicionais, como o peixe frito com açaí do Mercado Ver-o-Peso, até versões inusitadas, como ravioli de cupuaçu e maniçoba, nhoque de pupunha, risoto de jambu e tomilho, e até sorvetes de bacuri e taperebá.
 Criado pela Livraria da Vila e pela agência Auroraeco, o projeto ‘Navegar é Preciso’ reúne no Amazonas escritores e cantores em encontros literários diários, apresentações musicais e saídas para exploração turística da região. Nesse roteiro com duração de cinco dias, que acontece uma vez por ano, os viajantes literários navegam sem pressa sobre as águas escuras do rio Negro, cruzam o arquipélago das Anavilhanas, realizam trilhas floresta adentro e fazem desembarques estratégicos em praias de rio.
 Montar uma lista com os melhores finais de tarde do Brasil é tarefa difícil, polêmica e injusta, mas pela minha experiência em viagens nacionais, a região amazônica ganha, de longe, como o melhor endereço para ver o sol se deitar no horizonte. Seja da Estação das Docas, em Belém, ou embarcado, rumo a qualquer destino amazônico, ver o por do sol por ali é como presenciar alguém lançando baldes de tinta sobre o céu, em tons que vão do amarelo ao magenta.
QUANDO IR:
 O inverno amazônico vai de janeiro a junho, quando as temperaturas variam próximo de 30º, e a quantidade de chuvas é maior, facilitando a navegação de pequenas embarcações pelos corredores alagados da floresta.
 As temperaturas sobem para a casa dos 35°C, com sensação térmica de 40°C, entre julho e dezembro. É nessa época que chegam os amantes da pesca esportiva de piranhas, por conta do volume mais baixo das águas.
 Porém não adianta se animar com as clássicas promoções de passagens aéreas para Manaus, em dezembro, por exemplo, se a região da Amazônia fica sob chuvas, nessa época do ano.
COMO CHEGAR:
 São poucos e caros os voos diretos que partem de São Paulo para capitais como Belém e Manaus. Por isso, é comum viajar para o Norte em rotas que incluam conexões em cidades intermediárias como Cofins e Brasília.
As cidades são atendidas por companhias aéreas como Gol, Latam e Azul.